O contexto histórico do Realismo


Você já conhece o Romantismo e sabe que nele o artista cede aos apelos da imaginação, deixando transparecer essa tendência tanto na produção literária quanto nas artes plásticas e na música. No entanto, a realidade mostra que a vida acontece, muitas vezes, bem ao contrário do que desejamos. Em consequência, surge uma corrente que se preocupa com o que de fato ocorre ao nosso redor. É o Realismo, um movimento que começa a partir da segunda metade do século XIX e que se impõe pela força das circunstâncias que contribuíram para as mudanças da sociedade dos séculos seguintes.

A literatura realista teve como marco inicial, na Europa, em 1857, a publicação do romance Madame Bovary, de Gustave Flaubert. O movimento chegou logo ao Brasil, e encontrou autores dispostos a experimentar essa nova tendência. Ocorreu num período em que a sociedade experimentava profundas modificações, especialmente nas relações trabalhistas, e em que um grande número de artistas buscava no dia a dia do homem comum o tema para sua arte. Ao mesmo tempo, essa arte parecia representar um grito, até então abafado, de uma parcela da sociedade que ainda não havia encontrado um modo de se fazer compreendida.

É importante, ainda, saber…

A expansão do capitalismo industrial é o marco histórico da segunda metade do século XIX. Essa difusão tem suas implicações: a divisão da sociedade entre a burguesia e o proletariado, o crescimento desordenado das cidades, sob o impulso das indústrias que alimentam um capitalismo selvagem, e as ideias revolucionárias de Karl Marx, uma crítica à exploração do trabalhador. Surgem também doutrinas, ou teorias ideológicas, que impõem grande força sobre a produção literária desse período: o determinismo e o positivismo. A partir dos pressupostos dessas doutrinas, o escritor realista submete o leitor a uma análise do comportamento dos personagens, com forte ênfase cientificista. No campo económico, as nações aproveitam ao máximo seu potencial colonialista, explorando países da África e da Ásia, tornando-se verdadeiros impérios capitalistas.

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Nessa trama surgem outras novidades no campo científico: Lamarck realiza estudos visando comprovar a teoria da evolução e, mais tarde, Charles Darwin escreve o livro A origem das espécies, explicando o que ele acredita ser o processo evolutivo das espécies. A Psicologia e a Fisiologia passam a ter um campo comum, e a Medicina parte para o experimentalismo. Pasteur procede à descoberta dos microrganismos. Outro fator importante diz respeito às revoltas de trabalhadores, destacando-se o primeiro governo operário da História, conhecido como a Comuna de Paris, que impõe um governo proletário por um período de 70 dias.

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