É possível ensinar a leitura!


A questão ligada ao ensino da leitura apresenta, hoje, respostas muito mais concretas do que há algum tempo.

As teorias da linguagem focaram seus estudos no texto. De um lado, procurou-se definir o que é o texto, com todas suas implicações de construção (coerência, coesão, recursos expressivos, intencionalidade, por exemplo). De outro, levantaram-se questões ligadas à relação autor x leitor. A velha relação emissor x receptor, em que se reconhecia no primeiro o papel de agente dos significados e, no segundo, o papel de simples receptor, foi abandonada pela noção de que ambos participam da construção dos significados. O texto passou, então, a ser entendido como mediador na relação entre dois sujeitos: um deles imprime significados em determinado texto por meio da escrita, ao passo que o outro, no momento da leitura, recebe tais significados e os lê dentro de sua perspectiva pessoal, e também imprime seus significados no texto alheio, produzindo um diálogo que enriquece e transforma o produto inicial.

exercício-enem-interpretacao-descomplica (7)Assim, pode-se dizer da leitura que é o processo em que um determinado sujeito atribui significados a um determinado texto constituído.

A partir do momento em que se sistematizaram os elementos do discurso, abriram-se perspectivas mais concretas para o estudo do texto e sua leitura. E a partir do momento em que se entendeu essa relação autor x leitor, abriram-se novas perspectivas metodológicas para o ensino da leitura e da produção de textos.

As abordagens textuais não podem deixar de levar em consideração os elementos que constituem o texto: o que o constitui como texto, os recursos utilizados e os efeitos produzidos, o que não foi dito mas produz significado, as relações que ele mantém com outros textos.

Tais abordagens não podem, também, pretender ser portadoras de leituras fechadas, únicas e autoritárias, mas devem permitir que o leitor desempenhe seu papel, ou seja, que faça também as leituras determinadas por sua história pessoal.

No ensino da leitura, portanto, duas perspectivas se impõem. De um lado, é necessário proporcionar ao aluno o conhecimento dos elementos discursivos dos diversos tipos de texto a fim de que domine os procedimentos de construção de sentidos. Assim, ele será dotado dos recursos que lhe permitirão não só ler, mas também produzir de forma competente. De outro, é preciso mostrar-lhe que ele pode (e deve) participar da construção dos sentidos dos textos que lê e que esse processo não é estático, mas extremamente dinâmico, e que será tanto mais dinâmico quanto mais leituras ele fizer.

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