Características da Dissertação no Enem


O texto dissertativo é, por definição, aquele em que desenvolvemos um tema com o objetivo de esclarecer seus aspectos principais e, eventualmente, apresentar nosso ponto de vista. Quando esse tipo de texto faz apenas um panorama das ideias principais relativas ao tema, sem defender uma opinião específica, ele recebe a designação de dissertação expositiva; quando, ao contrário, o objetivo do autor é convencer os leitores de seu ponto de vista, trata-se de uma dissertação argumentativa.
Em geral, as provas de vestibular não costumam fazer menção a textos puramente expositivos.
Espera-se que o candidato no Enem apresente senso crítico em sua redação e, para isso, nada melhor do que redigir uma argumentação propriamente dita. Assim, sempre que falarmos de dissertação, estaremos fazendo referência aos textos de caráter argumentativo, mesmo que essa denominação não seja explicitada.
a) Tema

Em qualquer prova de redação, há sempre um tema a ser desenvolvido. Isso se faz necessário a fim de que os textos de milhares de candidatos possam ser comparados segundo um critério comum. Por essa razão, qualquer fuga à proposta feita pela Banca é vista como falha grave, podendo, em muitos casos, levar à anulação da prova. Apesar do medo decorrente desse aspecto, é assustador o número de alunos que foge total ou parcialmente ao tema proposto, o que pode ser explicado pelas condições de tensão a que estão submetidos naquele momento. Assim, faz-se imprescindível ter toda concentração na interpretação da tarefa a ser executada.

b) Defesa de um ponto de vista

Considerando o caráter argumentativo de que falamos, não será difícil perceber que é necessário "tomar partido" em qualquer redação de vestibular. Assim como convencemos nossos pais a nos deixarem chegar tarde após uma festa, precisamos de todas as armas necessárias a levar o leitor a concordar — pelo menos em tese — com nossa opinião. Essa é uma tarefa que faz uso constante do raciocínio lógico e da organização das ideias.

Cumpre ressaltar, a esse propósito, que as Bancas não avaliam qual é o ponto de vista do candidato, uma vez que todos temos liberdade de pensamento. No entanto, como em sociedade não basta ter uma opinião, sendo preciso justificá-la e fundamentá-la, os examinadores procuram avaliar essas competências na correção das provas.

c) Linguagem Impessoal

Por se tratar de texto técnico, a dissertação deve tratar do tema proposto com uma linguagem impessoal. Além da credibilidade alcançada, obtém-se a vantagem de tornar a redação até mesmo mais consistente, ao tratar da opinião defendida como uma verdade indiscutível. É por essa razão que evitamos a Ia pessoa do singular ("Eu"; "penso"; "na minha opinião" etc.), o que, além de tudo, seria redundante, uma vez que o texto é escrito por apenas uma pessoa e contém suas ideias.

d)  Objetividade

Além da linguagem, espera-se que o redator de uma dissertação seja capaz de tratar o tema com critérios objetivos. Dito de outro modo, seria inadequado deixar-se influenciar por aspectos emocionais e religiosos, por exemplo, ao discutir um tema como a legalização do aborto. Embora existam razões respeitáveis do ponto de vista puramente irracional, eles não se combinam com o caráter exclusivamente racional da dissertação.

e) Modalidade Escrita / Padrão Culto

Ninguém precisa ter conhecimento profundo de gramática para saber que existem profundas diferenças entre uso oral do idioma e sua utilização escrita. Palavras como "aí" e "coisa", por exemplo, só fazem sentido se houver um contexto físico que esclareça seus significados. A repetição de palavras, também, é fundamental em um diálogo, para que o assunto permaneça despertando atenção. Na escrita, entretanto, a imprecisão do vocabulário e as repetições lexicais, entre outros aspectos, constituem inadequações a serem evitadas.

Ao mesmo tempo, por se tratar de uma prova integrante da disciplina Língua Portuguesa, a redação deve ser produzida dentro dos limites da norma culta, ou seja, sem erros gramaticais. Isso não significa que precisemos ser sofisticados; um bom texto, claro e natural, pode fazer uso dessa norma e ser perfeitamente aceitável para o leitor comum.

f) Estrutura Lógica

Assim como uma conversa, um filme e um dia têm começo, meio e fim, também uma dissertação é dividida em etapas, denominadas respectivamente de introdução, desenvolvimento e conclusão. A cada uma corresponde uma função específica dentro da estratégia maior de convencer o leitor. Ao mesmo tempo, o desempenho de cada função pode ser feito de maneira original e inteligente, fugindo ao puro didatismo, conforme veremos depois.

g) Qualidades

Um texto dissertativo que se enquadre nos parâmetros descritos até aqui não necessariamente "merece" nota dez. Isso porque, nesse caso, o aluno estaria apenas cumprindo suas obrigações. Além dos aspectos fundamentais, portanto, a redação "perfeita" deve apresentar coesão, clareza, coerência, concisão, profundidade, senso crítico e criatividade. Não é pouco, sem dúvida. Por isso, não há mágica que faça um aluno redigir melhor da noite para o dia. Apenas aos poucos, com dedicação e reflexão, será possível incorporar tantas qualidades ao próprio texto.

Acesse o curso

Nenhum comentário :

Postar um comentário