Formação de palavras – questões com gabarito


Os exercícios abaixo se referem a um assunto que gosto muito de trabalhar com minhas turmas de Ensino Médio. Falar de formação de palavras é muito gostoso quando começamos a mostrar para os alunos a origem de certas palavras e eles mostram aquele brilho nos olhos ao perceber que estudando a origem, as palavras adquirem um significado mais rico. Mais interessante ainda é quando eles notam que estudar este assunto ajuda muito na interpretação de texto também. A lista abaixo já tem o gabarito.

Aprenda Português de forma simples e prática

Exercícios de formação de palavras bom gabarito

1) Assinale o item em que todas as palavras são compostas por aglutinação:

a) couve-flor, certeza, planalto
b) manobrar, boquiaberto, pernilongo
c) rubro-negro, gasômetro, histórico
d) busca-pé, desalmado, gozador
e) alvinegro, madrepérola, cisalpino

2) Não ocorre parassíntese em:

a) empalhar
b) escrever
c) enviuvar
d) anoitecer
e) esclarecer

3) A palavra aguardente formou-se por:

a) hibridismo
b) aglutinação
c) justaposição
d) parassíntese
e) derivação regressiva

4) Só não há aglutinação em:

a) viandante
b) bananal
c) fidalgo
d) petróleo
e) cabisbaixo

5) Que item contém somente palavras formadas por justaposição?

a) desagradável – completamente
b) vaga-lume – pé-de-cabra
c) encruzilhada – humanidade
d) supersticiosa – valiosas
e) desatarraxou – estremeceu

6) Ocorre aglutinação em:

a) leva-e-traz
b) sanguessuga
c) olho-de-boi
d) envenenar
e) COSIPA

7) Leia o texto abaixco e assinale a alternativa correta.

17 DE JULHO

1 Um dia desta semana, farto de vendavais, naufrágios, boatos, mentiras, polêmicas, farto de ver como se descompõem os homens, acionistas e diretores, importadores e industriais, farto de mim, de ti, de todos, de um tumulto sem vida, de um silêncio sem quietação, peguei de uma página de anúncios, e disse comigo:

2 Eia, passemos em revista as procuras e ofertas, caixeiros desempregados, pianos, magnésias, sabonetes, oficiais de barbeiro, casas para alugar, amas-de-leite, cobradores, coqueluche, hipotecas, professores, tosses crônicas...

3 E o meu espírito, estendendo e juntando as mãos e os braços, como fazem os nadadores, que caem do alto, mergulhou por uma coluna a seguir. Quando voltou à tona trazia entre os dedos esta pérola:

4 "Uma viúva interessante, distinta, de boa família e independente de meios, deseja encontrar por esposo um homem de meia-idade, sério, instruído, e também com meios de vida, que esteja como ela cansado de, viver só; resposta por carta ao escritório desta folha, com as iniciais M. R...., anunciando, a fim de ser procurada essa carta."

5 Gentil viúva, eu não sou o homem que procuras, mas desejava ver-te, ou, quando menos, possuir o teu retrato, porque tu não és qualquer pessoa, tu vales alguma cousa mais que o comum das mulheres. Ai de quem está só! dizem as sagradas letras; mas não foi a religião que te inspirou esse anúncio. Nem motivo teológico, nem metafísico. Positivo também não, porque o positivismo é infenso às segundas núpcias. Que foi então, senão a triste, longa e aborrecida experiência? Não queres amar; estás cansada de viver só.

6 E a cláusula de ser o esposo outro aborrecido, farto de solidão, mostra que tu não queres enganar, nem sacrificar ninguém. Ficam desde já excluídos os sonhadores, os que amem o mistério e procurem justamente esta ocasião de comprar um bilhete na loteria da vida. Que não pedes um diálogo de amor, é claro, desde que impões a cláusula da meia-idade, zona em que as paixões arrefecem, onde as flores vão perdendo a cor purpúrea e o viço eterno. Não há de ser um náufrago, à espera de uma tábua de salvação, pois que exiges que também possua. E há de ser instruído, para encher com as cousas do espírito as longas noites do coração, e contar (sem as mãos presas) a tomada de Constantinopla.

7 Viúva dos meus pecados, quem és tu que sabes tantos? O teu anúncio lembra a carta de certo capitão da guarda de Nero. Rico, interessante, aborrecido, como tu, escreveu um dia ao grave Sêneca, perguntando-lhe como se havia de curar do, tédio que sentia, e explicava-se por figura: "Não é a tempestade que me aflige, é o enjôo do mar. "Viúva minha, o que tu queres realmente, não é um marido, é um remédio contra o enjôo. Vês que a travessia ainda é longa, - porque a tua idade está entre trinta e dous e trinta e oito anos, - o mar é agitado, o navio joga muito; precisas de um preparado para matar esse mal cruel e indefinível. Não te contentas com o remédio de Sêneca, que era justamente a solidão, "a vida retirada, em que a alma acha todo o seu sossego". Tu já provaste esse preparado; não te fez nada. Tentas outro; mas queres menos um companheiro que uma companhia.

Machado de Assis, A Semana, 1892.

Foram formadas pelo mesmo processo as seguintes palavras do texto:

a) vendavais, naufrágios, polêmicas.
b) descompõem, desempregados, desejava.
c) estendendo, escritório, espírito.
d) quietação, sabonete, nadador.
e) religião, irmão, solidão

8)

1 A deterioração dos centros urbanos tomou conta dos noticiários. A cidade é a demência. A cidade é a selva. Mas a televisão sempre oferece compensações e, para aliviar o "show" do caos urbano, ela exibe o idílio da vida campestre. É assim que, na ficção e na publicidade, reina o ¢videobucolismo, esse gênero de fantasia em que a grama não tem formiga, as cobras não têm veneno e as mulheres não têm vergonha. Chinelos, cigarros, margarinas e cartões de crédito buscam os cenários de praias vazias, fazendas inocentes e montanhas íngremes para aumentar sua promessa de gozo. E há também caminhonetes enormes, as tais "off-road", que se anunciam rodando sobre escarpas, pântanos e rochas cortantes. A felicidade mora longe do asfalto.

2 Mas é curioso: essa mesma fabricação imaginária que santifica a natureza contribui para agravar ainda mais a selvageria nas cidades. Basta observar. Transeuntes se trajam como quem vai enfrentar o mato, os bichos, o desconhecido. Relógios de mergulhadores são ostentados por garotos que mal sabem ver as horas; botas de vaqueiro, próprias para pisar currais, freqüentam cerimônias de casamento; fardas militares de guerrilheiros amazônicos passeiam pelos shoppings. No trânsito, jipes brucutus viraram a última moda. Com pneus gigantescos e agressivos do lado de fora, e estofamento de couro do lado de dentro, são uma versão sobre quatro rodas dos condomínios fechados. Em breve, começarão a circular com pára-choques de arame farpado.

3 A distância entre um motorista de vidros lacrados e o mendigo que pede esmola no sinal vermelho é maior do que a distância entre aquele e as trilhas agrestes das novelas e dos comerciais. Nas ruas esburacadas das metrópoles, ele talvez se sinta escalando falésias. No coração desses dois homens, que se olham sem ver através dessa estranha televisão que é o vidro de um carro, a cidade embrutecida é a pior de todas as selvas.

Fonte: BUCCI, Eugênio. CIDADES DEMENTES. VEJA, 2 de julho, 1997, p.17.

Relacionam-se, pela origem, a verbos existentes na Língua Portuguesa, todos os substantivos a seguir, à exceção de

a) deterioração.
b) compensações.
c) mergulhadores.
d) estofamento.
e) metrópoles.

9) (Uelondrina 1997) - Assinale a alternativa em que todas as palavras são formadas pelo mesmo processo.

a) embarque - pernoitar - lobisomem
b) burocracia - enraivecer - ateu
c) hipermercado - tique-taque - cabisbaixo
d) planalto - pernalta - embora
e) bígamo - noroeste - remarcação

10) SOCIOLOGIA é palavra

a) composta híbrida.
b) derivada parassintética.
c) derivada por sufixação.
d) derivada por prefixação
e) composta por aglutinação.

11) A partir da leitura dos textos, responda o que se pede.

O POETA COME AMENDOIM - TEXTO I

Noites pesadas de cheiros e calores amontoados...
Foi o sol que por todo o sítio imenso do Brasil
Andou marcando de moreno os brasileiros.
Estou pensando nos tempos de antes de eu nascer...
A noite era pra descansar. As gargalhadas brancas dos mulatos...
Silêncio! O Imperador medita os seus versinhos.
Os Caramurus conspiram à sombra das mangueiras ovais.
Só o murmurejo dos cre'm-deus-padre irmanava os homens de meu país...
Duma feita os canhamboras perceberam que não tinha mais escravos,
Por causa disso muita virgem-do-rosáriõ se perdeu...
Porém o desastre verdadeiro foi embonecar esta República temporã.
A gente inda não sabia se governar...
Progredir, progredimos um tiquinho
Que o progresso também é uma fatalidade...
Será o que Nosso Senhor quiser!...
Estou com desejos de desastres...
Com desejos do Amazonas e dos ventos muriçocas
Se encostando na canjerana dos batentes...
Tenho desejos de violas e solidões sem sentido...
Tenho desejos de gemer e de morrer...
Brasil...
Mastigado na gostosura quente do amendoim...
Falado numa língua curumim
De palavras incertas num remeleixo melado melancólico...
Saem lentas frescas trituradas pelos meus dentes bons...
Molham meus beiços que dão beijos alastrados
E depois semitoam sem malícia as rezas bem nascidas...
Brasil amado não porque seja minha pátria,
Pátria é acaso de migrações e do pão-nosso onde Deus der...
Brasil que eu amo porque é o ritmo no meu braço aventuroso,
O gosto dos meus descansos,
O balanço das minhas cantigas amores e danças.
Brasil que eu sou porque é a minha expressão muito engraçada,
Porque é o meu sentimento pachorrento,
Porque é o meu jeito de ganhar dinheiro, de comer e de dormir.

Mário de Andrade. POESIAS COMPLETAS. S.P.: Martins, 1996. p. 109-110

TEXTO II

A política é a arte de gerir o Estado, segundo princípios definidos, regras morais, leis escritas, ou tradições respeitáveis. A politicalha é a indústria de explorar o benefício de interesses pessoais. Constitui a política uma função, ou o conjunto das funções do organismo nacional: é o exercício normal das forças de uma nação consciente e senhora de si mesma. A politicalha, pelo contrário, é o envenenamento crônico dos povos negligentes e viciosos pela contaminação de parasitas inexoráveis. A política é a higiene dos países moralmente sadios. A politicalha, a malária dos povos de moralidade estragada.

Rui Barbosa. Texto reproduzido em ROSSIGNOLI, Walter. "Português: teoria e prática". 2. ed. São Paulo: Ática, 1992. p. 19

Assinale a opção em que o processo de formação de palavras está indevidamente caracterizado:

a) pão-nosso - composição por justaposição.
b) aventuroso - derivação sufixal.
c) embonecar - composição por aglutinação.
d) descanso - derivação regressiva.
e) incerto - derivação prefixal.

Gabarito dos exercícios de formação de palavras

1- B

2- B

3- B

4- B

5- B

6- B

7- D

8- E

9- D

10- A

11- C

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